segunda-feira, 11 de julho de 2016

“É Notícia no Rádio” discute a identidade de gênero com Erika Thawany e Clarissa Carvalho


Fotos: É Notícia no Rádio/Flávio Amorim
O “É Notícia no Rádio” deste sábado (09) debateu a igualdade de gênero, um tema que tem causado sérias discursões entre os vários segmentos sociais no mundo. A transexual Erika Thawany e a internacionalista Clarissa Carvalho pontuaram algumas questões relacionadas ao assunto. Entre elas destaca-se a luta na justiça pelo direito de usar o novo nome social em documentos oficiais.

“Eu era uma mulher presa em um corpo de homem. Hoje graças a Deus, estou renascendo através de muito apoio, tanto da minha família quanto de meus amigos. Meu comportamento, minhas ações sempre foram pautadas pelos horizontes femininos, sempre me achei mulher e todos do meu convívio também, Isso foi o que me fortaleceu para fazer a mudança de nome e de gênero”. 
 
Assim se definiu Érica Thawany, 27, anos, primeira trans residente em Santa Cruz do Capibaribe, a lutar na justiça para poder usar o seu nome social em documentos oficiais. De temperamento forte e com marcas de preconceitos sentidos a todo instante, Érica se mostra cautelosa no uso das palavras, para não ferir conceitos de familiares e de demais ouvintes.

Aos dez anos de idade Thawany sentia atração por um vizinho e isso lhe causava fortes indagações: Porque que estou sentindo isso? Porque não gosto de mulheres como meus irmãos? Será isso certo? Tais dúvidas seguidas de preconceitos fizeram de sua infância um inferno, acendendo algumas vezes o desejo de morrer. Só aos quinze anos, Érica descobriu que não era homossexual e sim, uma trans, conceito em que indivíduos não se reconhecem ou não se identificam no corpo em que nasceram.

Hoje, ela conta com o apoio da família, mas no início, sua avó foi o seu refúgio, a única que nunca perguntou o que ela era ou de quem gostava, simplesmente a orientava e lhe entregava preservativos, demonstrava assim, sem dizer uma palavra, o desejo de vê-la feliz independente de escolha de gênero ou de orientação sexual.  Por não conseguir emprego, por um tempo, tornou-se garota do sexo.

Atualmente trabalha em uma empresa de confecções e apesar de não estar usando o nome social oficialmente em documentos, porque o processo ainda encontrar-se em tramitação, Érica considera uma grande conquista e com isso deseja acabar com o constrangimento de apresentar seu RG, com outra identidade. Érica está em acompanhamento para conseguir realizar a cirurgia de resignação, a qual vai poder lhe proporcionar juntamente com o seu nome sua verdadeira identidade de mulher trans.

A internacionalista, especialista em administração pública e mestra em ciência política, Clarissa Carvalho, relatou que a sociedade precisa se abrir para entender o mundo dos trans que vai muito além de homem ou mulher e que por vivermos em uma sociedade sexista, os transgêneros sofrem diversos preconceitos. “A melhor forma de entender o ser humano independentemente de sexo ou orientação sexual é vê-lo como ele realmente é. Essas novas construções de identidade, proposta pelas pessoas trans, não são anormais e muito menos expressam uma falta de caráter, apenas evidenciam uma experiência inata a compreensão da sociedade tradicionalista,” disse Clarissa.

Ainda segundo Clarissa, a falta de informação e o preconceito de alguns agentes públicos são algumas das principais causas que tem impedido outras pessoas trans de trocar de nome social. “A Justiça não irá atrás de nenhum cidadão perguntando se quer ou não trocar de nome social, embora hoje este seja um direito de qualquer pessoa que comprove essa necessidade. No entanto, quando essa trans decidi buscar o seu direito, esbarra no preconceito e na falta de conhecimento de servidores públicos que decidem por critérios pessoais dificultar o encaminhamento do processo”, pontou a especialista.

De acordo com dados divulgados pela Fundação Americana para a Prevenção do Suicídio e do Instituto Williams mais de 41% das pessoas “transgêneros” ativas tentam se matar. Isso é dez vezes a taxa de tentativa de suicídio (4,6%) da média. Outro dado, coletado entre os anos de 2008 e 2015, aponta o Brasil como o pais onde mais de mata transgêneros no mundo. No período de estudo foram assassinados mais de 800 transexuais, um quarto do que se matou no mundo inteiro. No link abaixo, você confere a entrevista na integra:



O “É Notícia no Rádio” pontou ainda algumas notícias que foram destaque durante a semana como o 5º Encontro de Fuscas e Antigos no Rota do Mar Complex; as emendas do Deputado Estadual Diogo Moraes para custear equipamentos da UPA 24h e calçamentos em Santa Cruz do Capibaribe; a Lei Eleitoral que proíbe pré-candidatos de atuarem profissionalmente em programas de rádio e TV; o TCE divulga lista com políticos considerados fichas-sujas; Caruaru e Cupira na rota da máfia do cigarro, além das dicas de Cinema.

O PROGRAMA

O “É Notícia no Rádio” vai ao ar, todos os sábados, das 7h às 8h da manhã pela rádio IGM 88.9. Além do blog É Notícia, os ouvintes podem enviar as suas sugestões de pautas pelo WhatsApp (81) 9.8907-5045.

Por Josy Santos e Antonio Andrade

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