sexta-feira, 31 de julho de 2015

Água na Adutora do Agreste talvez só em 2021


Caso siga a dinâmica atual de calendário financeiro, a Adutora do Agreste, projeto de R$ 2 bilhões para abastecer mais de 60 municípios da região, pode ser realidade apenas para 2021. A obra era esperada para junho deste ano e tem a "pendência" de R$ 800 milhões para sair do papel. Já o ministério da Integração Nacional, o grande financiador do projeto, promete repasses de R$ 10 milhões mensais para que a obra não paralise por falta de verbas. Fazendo o cálculo básico, serão 80 meses para fechar a conta, ou seja, seis anos e meio para a conclusão da obra, se não sofrer novos atrasos.

A água partirá do Rio São Francisco, captada pela Transposição. No Eixo Leste do projeto, no sertão de Pernambuco, a água terá conexão com o Ramal do Agreste e posteriormente “despejada” na Adutora do Agreste. Nenhuma dessas obras vai ser entregue neste ano, como planejado. A Transposição, inclusive, hoje prevista para 2017, pode sair antes da Adutora, se também não apresentar alteração de prazo.

A Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) confirmou que as transferências mensais de R$ 10 milhões foram recebidas nos meses de junho e julho. “O acordo firmado está sendo cumprido e deve continuar até o fim do ano, mas esperamos que a partir de 2016 um novo fluxo financeiro seja discutido e concretizado, para que a obra volte a ritmos mais acelerados”, explicou o diretor técnico de engenharia da Compesa, Carlos Eduardo Maia.

Não é de se ter esperanças. O ministério da Integração Nacional teve um corte de R$ 2,2 bilhões no primeiro plano de contingenciamento do governo federal, realizado no início do ano e que resultou na queda considerável dos pagamentos do ministério para os estados, inclusive Pernambuco, o que inclui a obra da Adutora do Agreste. Neste mês, o governo federal anunciou que será necessário novo corte, que será detalhado mais adiante.


O abastecimento de água no Agreste de Pernambuco é considerado o mais problemático do estado e do país porque apresenta o pior balanço hídrico, que é a relação da oferta natural de água e da demanda habitacional. Em resumo, o Agreste do estado tem poucas chuvas, reservatórios pequenos, escassez de águas subterrâneas e a ausência de um grande rio em em volume de água na região frente à demanda que a região possui por habitante. Quando o índice mede abaixo de mil metros cúbicos por habitante, trata-se de uma área de escassez crônica de água, segundo parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS). No Agrente, esse índice é de 800 metros cúbicos/habitante.

No último balanço da Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC), 15 dos 30 reservatórios da região apresentaram situação de colapso e a principal barragem local (Jucazinho) está com nível de 3% da capacidade. Caso a Transposição não saia antes da Adutora, é essa água que será administrada na região.

Fonte: Diário de Pernambuco

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